MENDOÇA DÁ “XEQUE-MATE” NA CPMI E MANDA POLÍCIA FEDERAL RECOLHER CELULARES DE VORCARO APÓS VAZAMENTO DE MENSAGENS ÍNTIMAS
17/03/2026
Por Nilson Lobão – Site Saiba Tudo Brasília, 17 de março de 2026.
O clima esquentou nos corredores do Congresso Nacional na noite desta segunda-feira. Em uma decisão que caiu como uma bomba na CPMI do INSS, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio imediato do acesso de parlamentares ao conteúdo dos celulares de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
A decisão não foi apenas jurídica, foi um “freio de arrumação” em um cenário que já flertava com o caos institucional.
O que motivou a canetada de Mendonça foi o vazamento de conteúdos que nada tinham a ver com o objeto da comissão. Mensagens de cunho estritamente pessoal, incluindo diálogos íntimos com a ex-namorada de Vorcaro, começaram a circular, ferindo o princípio da dignidade e o sigilo constitucional sobre a vida privada.
Mendonça foi categórico: quebra de sigilo não é passaporte para exposição pública da intimidade.
Com a ordem judicial, a famosa sala-cofre do Senado — onde os parlamentares se acotovelavam para analisar os dados — foi, na prática, lacrada para a CPI.
Recolhimento: A Polícia Federal (PF) foi acionada para retirar todo o material (HDs, celulares e documentos).
O Filtro: Agora, caberá exclusivamente à perícia técnica da PF separar o “joio do trigo”. Apenas o que for estritamente ligado a fraudes no INSS ou à Operação Compliance Zero será devolvido à comissão.
Nos bastidores, o que se comenta é que o bloqueio traz um alívio temporário para muita gente grande. O celular de Vorcaro é considerado uma “caixa-preta” do poder, contendo contatos e diálogos com:
Cúpula do Judiciário: Nomes de ministros do STF aparecem nos registros.
Poder Legislativo: Deputados e senadores de peso.
Mercado Financeiro: Diretores do Banco Central e grandes empresários.
A pergunta que fica no ar em Brasília é: esse filtro da PF vai apenas proteger a intimidade ou vai acabar “limpando” conexões políticas que a CPI estava louca para explorar?
Os advogados de Daniel Vorcaro comemoraram a decisão, afirmando que a CPI vinha sendo utilizada como palco para “assassinato de reputações” e que o acesso a dados irrelevantes ao inquérito era uma ilegalidade gritante.
Mendonça agiu como o garantista que sempre prometeu ser. Ao retirar o brinquedo das mãos dos políticos e entregar para os técnicos da PF, ele preserva a Corte de um desgaste maior, mas coloca a CPI em banho-maria. Resta saber se, após a triagem, sobrará munição suficiente para as convocações que a oposição tanto planejava.
