RONDONÓPOLIS PROJETA CRESCIMENTO HISTÓRICO PARA OS PRÓXIMOS 30 ANOS COM FOCO EM INVESTIMENTOS ESTRUTURANTES
A receita apontada para consolidar Rondonópolis como um polo de desenvolvimento passa, obrigatoriamente, pela desburocratização da máquina pública, transparência ativa e redução da carga tributária local.
09/06/2026
RONDONÓPOLIS – Em vez de investir em obras de apelo visual imediato e retórica eleitoreira, a atual gestão de Rondonópolis decidiu blindar o futuro do município. Na última terça-feira (9), durante o 8º Café da Indústria realizado na Casa da Indústria, o prefeito Cláudio Ferreira (PL) apresentou a empresários e lideranças do setor produtivo um plano estratégico robusto, desenhado para sustentar o desenvolvimento econômico e social da cidade pelas próximas três décadas.
O evento foi promovido conjuntamente pelo SIAR Sul MT, SINDIMEC, SINDSCOM Sul MT e pela Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (FIEMT), contando com a presença do presidente do Sistema FIEMT, Silvio Rangel.
“Você pode pegar R$ 70 milhões e distribuir pela cidade toda, fazendo quatorze praças. Do ponto de vista eleitoral, em tese, parece vantajoso. “Mas nós estamos fazendo o contrário disso: estamos focados nos projetos estratégicos”, afirmou o prefeito, destacando a virada de chave na administração pública local.
Logística e infraestrutura: os nós que começam a ser desatados
Para preparar a cidade para o avanço industrial e demográfico, a prefeitura elegeu a infraestrutura de transporte como prioridade imediata. Entre os projetos de maior impacto está a construção do viaduto da BR-163/364, na região conhecida como Trevão — área de intensa concentração industrial e principal acesso ao terminal ferroviário da cidade. A obra está orçada em mais de R$ 70 milhões.
Além disso, o município confirmou o início das obras de duplicação do rodoanel nesta semana e anunciou que, nos próximos dias, assinará a ordem de serviço para a pavimentação de diversas áreas no bairro Sagrada Família, região mapeada como o novo polo potencial para a expansão da construção civil.
Saúde: injeção de R$ 180 milhões e descentralização regional.
A reestruturação da saúde pública foi apresentada como um dos principais motores econômicos imediatos para o município. Fruto de uma articulação suprapartidária, o novo contrato de Rondonópolis com a Santa Casa deu um salto financeiro histórico: o montante passou de R$ 94 milhões para mais de R$ 268 milhões — um acréscimo de cerca de R$ 180 milhões.
Segundo Ferreira, o impacto dessa medida vai muito além dos consultórios.
“Eu diria que é glicose na veia. E não é para amanhã, isso vai estimular a economia local agora”, projetou o gestor.
A expectativa é que, ao fixar os pacientes na cidade e evitar encaminhamentos para outras regiões, o comércio, a rede hoteleira e o setor de serviços registrem um aquecimento já nos próximos 60 a 90 dias. Complementando a estratégia de saúde, o prefeito anunciou a criação de uma policlínica regional para atender toda a população do sudeste mato-grossense.
Educação como o grande diferencial competitivo.
Se a infraestrutura atrai as empresas, a educação é o que garantirá a sustentabilidade do parque industrial a longo prazo. O prefeito apontou o setor como a resposta direta da municipalidade à escassez de mão de obra qualificada demandada pelas indústrias.
Os resultados dessa política começaram a aparecer de forma acelerada. Em apenas um ano e cinco meses de gestão, Rondonópolis saltou da 54ª para a 16ª posição no ranking de qualidade educacional entre os municípios brasileiros com mais de 200 mil habitantes.
O avanço na rede, que conta com mais de 30 mil alunos e 2.800 profissionais, é atribuído a um forte pacote de valorização e eficiência:
- Instituição do 14º salário para os servidores da educação;
- Aumento das gratificações para diretores e coordenadores pedagógicos;
- Parceria com o movimento Mato Grosso em Evolução, permitindo que um grupo de empreendedores custeie uma consultoria privada especializada em gestão educacional para o município.
O caminho da Liberdade Econômica
Ao encerrar a apresentação de diretrizes, Cláudio Ferreira recorreu aos conceitos de liberdade econômica para justificar o modelo adotado. Citando o desempenho historicamente tímido do Brasil em rankings internacionais de ambiente de negócios, o prefeito defendeu que o papel do município deve ser o de facilitador.
A receita apontada para consolidar Rondonópolis como um polo de desenvolvimento passa, obrigatoriamente, pela desburocratização da máquina pública, transparência ativa e redução da carga tributária local. Para a gestão, a combinação entre austeridade interna, investimentos técnicos e uma sólida articulação política com os governos estadual e federal pavimentará o caminho para o período de maior crescimento da história da cidade.
