VÍDEO MOSTRA ÚLTIMOS MOMENTOS DE MÃE E BEBÊ ANTES DE MORREREM; FAMÍLIA APONTA NEGLIGÊNCIA

O caso ocorreu em Tangará da Serra. O pai registrou em vídeo o desespero com a demora no atendimento; a Secretaria de Saúde nega omissão e afirma que feto já estaria morto.

22/04/2026

TANGARÁ DA SERRA – Uma tragédia que vitimou uma gestante e seu bebê está gerando forte comoção e revolta nas redes sociais. Um vídeo gravado pelo próprio pai da criança revela o desespero da família dentro de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) momentos antes das mortes. As imagens mostram a mulher com acessos nos braços, aguardando por um atendimento especializado que, segundo a família, nunca chegou a tempo.

No registro, o esposo desabafa: “Estamos indo embora. Estou levando-a aqui. Está quase ganhando neném. Caçar outro hospital, porque aqui o negócio está feio”. A decisão de deixar a unidade pública ocorreu devido à ausência de um ginecologista obstetra de plantão no momento da emergência.

O Outro Lado: Secretaria nega negligência

Em resposta às acusações, a secretária municipal de Saúde, Angela Belizário, afirmou que não houve omissão de socorro. Segundo a pasta, a paciente aguardou cerca de seis minutos para a triagem inicial, mas como a unidade trabalha com médicos especialistas em regime de sobreaviso, a família decidiu não esperar o deslocamento do profissional e buscou um hospital particular.

A secretária apresentou uma versão contundente sobre o estado de saúde da gestante:

“O bebê já estava morto há mais de dois dias, segundo a obstetra e o médico que fez a cirurgia. Em decorrência desse óbito fetal, a mãe teve complicações e faleceu por infecção generalizada”, declarou Angela.

Contradições no Atendimento

Um dos pontos mais polêmicos da declaração da secretária diz respeito à ausculta dos batimentos cardíacos na UPA. Questionada se o óbito do feto não deveria ter sido notado logo na entrada, ela afirmou que o médico pode ter confundido os batimentos da veia aorta da mãe com os do bebê.

Após a constatação do óbito do feto no hospital particular, a família retornou à UPA por falta de recursos financeiros. A mulher foi internada em um leito do SUS e, após o agravamento do quadro de infecção generalizada (sepse), foi transferida para a UTI, onde lutou pela vida por 13 dias, mas não resistiu e faleceu no último domingo (19).

Investigação

As causas exatas das mortes e a conduta da unidade de saúde serão agora objeto de um inquérito policial. A perícia deve determinar se o tempo de espera e a ausência do especialista no local foram decisivos para o desfecho fatal. A falta de informações sobre o pré-natal, realizado na rede particular, também será apurada pelas autoridades.

A nossa reportagem segue acompanhando o caso e deixa o espaço aberto para que o esposo da vítima e a defesa da família possam se manifestar sobre as declarações da Secretaria de Saúde.

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