TRAIÇÃO DE TARCÍSIO COM KASSAB PODE EMPURRAR O PSD PARA BASE DE LULA, AFIRMA MÁRCIO FRANÇA

Em conversas privadas, o ex-ministro do Empreendedorismo tem dito que o presidente do PSD foi traído por Tarcísio e é o Alckmin de 2026.

14/04/2026

Por Nilson Lobão | São Paulo

Nos bastidores da política paulista, um nome tem sido repetido como a peça-chave para o tabuleiro eleitoral de 2026: Gilberto Kassab. O ex-governador e atual ministro, Márcio França (PSB), tem defendido em conversas reservadas que o presidente nacional do PSD é o “novo Alckmin” — a figura de centro capaz de consolidar a frente ampla de Luiz Inácio Lula da Silva e isolar a oposição em São Paulo.

A Tese da “Traição” no Palácio dos Bandeirantes

A análise de França ganha força após o recente estremecimento na relação entre Kassab e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O estopim teria sido a articulação que retirou do PSD o controle da vice-governadoria na chapa de reeleição de Tarcísio.

Ao ver o atual vice, Felício Ramuth, migrar para o MDB para garantir a vaga na chapa, Kassab teria interpretado o movimento como uma tentativa de Tarcísio de reduzir sua influência no estado. Para França, Kassab agora está “solto no mercado”, repetindo a trajetória de Geraldo Alckmin, que em 2022 deixou o PSDB após décadas para viabilizar a vitória petista.

Os Trunfos do PSD

Por que o governo Lula estaria disposto a rifar o PSB da vice-presidência em favor de Kassab? A resposta reside na matemática eleitoral:

Capilaridade Municipal: O PSD consolidou-se como o maior partido do Brasil em número de prefeituras, especialmente no interior de São Paulo.

Redução de Rejeição: Assim como Alckmin, Kassab fala com o eleitorado conservador e com o agronegócio, setores onde o PT ainda enfrenta resistência.

Governabilidade: Trazer o PSD para o núcleo duro do governo facilitaria a gestão de uma base parlamentar muitas vezes instável no Congresso.

O Xadrez das Cadeiras

O cenário discutido envolveria uma dança das cadeiras complexa:

Geraldo Alckmin: Disputaria uma cadeira ao Senado por São Paulo, onde as pesquisas indicam que ele teria uma eleição segura.

Gilberto Kassab: Assumiria a vice-presidência na chapa de Lula.

PT e PSB: Uniriam forças no estado para tentar retomar o Palácio dos Bandeirantes, possivelmente com o próprio Márcio França ou Fernando Haddad na liderança.

O Outro Lado: A Cautela de Kassab

Apesar das movimentações de França, Gilberto Kassab mantém sua estratégia habitual de “não fechar portas”. Publicamente, o cacique do PSD reafirma o apoio à reeleição de Tarcísio e mantém a pré-candidatura presidencial de Ronaldo Caiado como um balão de ensaio para medir seu poder de barganha.

“Kassab não dá ponto sem nó. Ele sabe que, no interior de São Paulo, ele é o fiel da balança. Se Tarcísio o empurrar demais, o caminho para Brasília via PT já está pavimentado”, afirma um interlocutor próximo ao ministro França.

Com a proximidade das convenções, a pressão sobre o PSD deve aumentar. Se a profecia de Márcio França se cumprir, 2026 poderá marcar o fim definitivo da aliança entre o bolsonarismo técnico de Tarcísio e o pragmatismo de centro de Gilberto Kassab.

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